A mente de um homem é capaz de enxergar o mundo de infinitas formas e de refletir sobre a sua condição diante do mundo. Há momentos em que surge uma espécie de vazio e se aflora o sentimento de pessimismo e de solidão e o indivíduo passa a se perguntar sobre os seus propósitos e a crer que “não é nada” para o mundo exterior, passando a viver na reclusão e criando um mundo próprio dentro de seu pequeno reduto, seu quarto. Ele passa a ser uma mente presa dentro de um quarto que olha a realidade do dia-a-dia das pessoas pela janela, porém, ele não faz mais parte deste mundo e dá-se a oposição entre a realidade do mundo externo e a irrealidade que tornou-se a sua vida dentro do quarto.
Quando surge um vazio em seu peito, o indivíduo passa a refletir sobre seu passado, sua história de vida e todas as decisões que ele tomou ao longo da vida que deram um rumo inesperado ao seu presente momento. Nesse instante, o desespero toma conta de seu ser e ele busca alguma alternativa para ainda ser feliz e tomado pelo pessimismo conclui que a felicidade é inatingível. Diante desse quadro outros sentimentos lhe vem a tona como a inveja e a preocupação com a vida alheia tornando a sua vida uma mediocridade imperceptível para o mundo real.
A solidão é um dos piores sentimentos para a mente humana e ela pode causar ao indivíduo um desligamento total do mundo real e da realidade da sua vida. Ele passa a acreditar somente no mundo irreal criado por ele em seu quarto além de trazer uma angústia profunda ao comparar a sua condição a condição dos outros que ele passa a enxergar como seus adversários. Outro problema que surge é a sensação de desuso, quando alguém sente que não pode contribuir em nada para o mundo em que vive e a sua vida perde a razão.
O mundo ilusório criado na mente pelo vazio e pela falta de sentido na vida desmorona quando o indivíduo regressa a realidade e passa a ver o mundo como ele realmente é a partir do convívio com outras pessoas. Ao ser puxado violentamente para a realidade ele vê seu mundo se reconstruindo subitamente sem a interferência dos seus pensamentos apenas com a verdade notada por seus sentidos.
Vitor Filogônio

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